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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Rede Um Grito pela Vida discute sobre Tráfico de Pessoas em encontro

Como está o nosso mundo? Com este chamado à reflexão, a mística do encontro de religiosas que formam a Rede um Grito pela Vida abriu os trabalhos do evento que se realiza desde ontem (12), em Goiânia (Goiás) e que tem como foco um dos problemas mais sérios do mundo globalizado: o tráfico de seres humanos. 
Os últimos dados - da Organização das Nações Unidas - mais recentes dão conta da dimensão deste problema: cerca de 2,45 milhões de pessoas em todo o mundo são vítimas de tráfico em condições de exploração. Desse total, 80% são mulheres e crianças. No contexto da mercantilização, o tráfico com fins sexuais movimenta cerca de 12 milhões de dólares por ano.

O cenário, então, exige mobilização e muito trato, no que diz respeito ao cumprimento dos direitos humanos. E é por esse motivo que, em termos de Brasil, a Rede um Grito pela Vida, formada em 2006, e ligada à Conferência das (os) Religiosas (as), a CRB, vem se mobilizando. Desafios, estratégias, ações, experiências exitosas, foram alguns dos assuntos tratados pelas participantes deste que é o quinto da Rede.
 
No Brasil, afirma a irmã Gabriella Bottani, o desafio é muito grande. Como país de origem, trânsito e também de destino, a nação brasileira tem aspectos culturais que são distintos em por regiões. Então, para cada um dos estados a política de enfrentamento, ações e mobilizações devem respeitar essas naturezas.
 
Durante a apresentação de hoje (13), foram colocados, por exemplo, a situação da região Nordeste, onde as cidades litorâneas, com forte fluxo turístico, terminam alimentando também, através do turismo sexual, o tráfico de pessoas. Do outro lado do país, na região Norte, o crime já se dá através das áreas portuárias.

"Desvendar esses elementos culturais que tornam o assunto mais complexo, lidar com eles, também é um grande desafio. O país tem uma extensão muito grande e culturas variadas, por isso a importância de agirmos regionalmente", disse a religiosa.

Bottani cita ainda a impunidade relacionada ao tráfico de seres humanos. "De todos, acho que é o no nosso principal desafio", disse, acrescentando que ao se está lidando com um problema que é visível, mas que é ‘invisibilizado' por conta de outros interesses.

Também não é por acaso que o encontro da Rede acontece em Goiás. Segundo dados da Polícia Federal, o estado ocupa o primeiro lugar quando o assunto é tráfico de pessoas, de mulheres, sobretudo. As últimas informações divulgadas pelo Ministério da Justiça, em 2010, afirmam que 18% dos casos deste crime envolvem o estado.


O Encontro



Além de obter um panorama de como andam as atividades realizadas pela Rede, a programação inclui as ações futuras que devem ser realizadas, dentre elas está a preocupação com a relação ‘tráfico de pessoas e Copa do Mundo'. Também haverá eleição da nova articulação e definição do planejamento para o período 2012-2014.

"O encontro é o momento que temos para dar visibilidade às nossas ações, conhecermos quais são nossos obstáculos. É um momento de partilha, de troca de experiência, quais nossos avanços e desafios", falou.

Para saber mais sobre a Rede:

http://www.redeumgritopelavida.blogspot.com/

e-mail: gritopelavida@gmail.com


A Congregação das Irmãs do Imaculado Coração de Maria integra a Rede Um Grito Pela Vida e particpa do encontro com a presença de três Irmãs: Roselei Bertoldo (Província de Teresina), Irmã Eurides Alves de Oliveira (Setor Geral) e Irmã Maria Inês Sampaio (Província de São Paulo).

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

23 de Setembro - Dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças

23 de Setembro 
Dia Internacional Contra a Exploração Sexual 
e o Tráfico de Mulheres e Crianças


Defender e Promover a Vida das pessoas traficadas -
um Imperativo Carismático- Profético!


“Um grito pela vida tão sofrida quero ouvir!
Milhares de outras vozes solidárias vão se unir!
Não mais o trabalho escravo, não mais a exploração!
No grito, a dor e o pranto do canto-libertação!”
( Ir. Miriam Koling).

    O Tráfico de Seres Humanos, cujas vítimas em potencial são as mulheres, as crianças e adolescentes, constituem uma das formas mais explicitas da escravidão do século XXI.  Reflete profundas contradições históricas, relações humanas e sociais da humanidade. Vulnera e viola a dignidade e a liberdade de numerosas mulheres e crianças, mercantilizando e ferindo seus corpos, matando seus sonhos e direito de viver. Configura hoje uma das piores afrontas à dignidade humana e um das mais cruéis violações dos direitos humanos.

    Do ponto de vista econômico trata-se de uma rede extremamente lucrativa que ocupa o terceiro no lugar na economia mercadológica do crime organizado. Estima-se que 700 mil mulheres e crianças que as redes de tráfico passam todos os anos pelas fronteiras internacionais do tráfico humano. Isso sem contabilizar o tráfico interno, que no nosso País é alarmante.
         
    As vítimas deste delito vivem em situações inumanas e degradantes.São violados os princípios e direitos fundamentais da pessoa humana como o direito à vida, à integridade física, à dignidade e o desenvolvimento pessoal, à liberdade de ir e vir e o direito a não ser submetida/o à escravidão, servidão, aos maus tratos. (cf. João Paulo II. 2002)
 

   A pobreza, o desemprego, bem como a ausência de educação e de acesso aos recursos constituem as causas subjacentes ao Tráfico de Seres Humanos. As mulheres são particularmente vulneráveis ao tráfico de seres humanos devido à feminização da pobreza, à cultura de discriminação e desigualdade entre homens e mulheres, à falta de possibilidades de educação e de emprego, a cultura hedonista que transforma o corpo da mulher em objeto de desejo e cobiça.
 

   Segundo o Ministério da Justiça, o desconhecimento da população sobre esta modalidade de tráfico e a pouca divulgação pela grande imprensa colaboram para que crimes desta natureza passem despercebidos pela sociedade. O que facilita a atuação dos aliciadores e tornam as vítimas presas fáceis de falsas promessas de emprego digno e uma vida melhor no estrangeiro ou em alguma outra região do país tida como mais promissora.


   O clamor das mulheres, adolescentes e crianças traficadas, se impõem hoje como um Imperativo Carismático- profético para a Vida Religiosa Consagrada. A crueldade deste crime exige uma decidida e inegociável ação solidária e profética. A presença, a dor e o grito das vítimas é sacramento da presença de Deus clamando por vida, dignidade e libertação.
 

   Sensibilizar e socializar informações sobre o Tráfico de Seres Humanos; capacitar multiplicadores, multiplicadoras para ações educativas de prevenção e assistência  e intensificar a luta por políticas públicas de enfrentamento desta realidade. É a tarefa que tem sido assumida pela Rede um Grito pela Vida desde março de 2006.
 

   A Rede Um grito pela vida é Intercongregacional, constituída por religiosas de diversas Regionais e Congregações. Um espaço de articulação e ação solidária da Vida Religiosa Consagrada do Brasil. É parte constitutiva da CRB Nacional. Aberta e atua de forma descentralizada e articulada com as organizações e iniciativas afins nas diversas localidades Estados e municípios. Integra a Rede Talitakun, a Rede internacional da VR no enfrentamento ao Tráfico Humano.
          
    Somos convictas de que o tráfico de mulheres e crianças com toda sua complexidade se apresentam como um campo de atuação missionária, um “desafio-clamor, que nos toca profundamente e convoca a todas e todos a estar de maneira estratégica do lado das pessoas indefesas, com uma práxis articulada de prevenção, assistência e proteção às vítimas e incidência política. Trabalhar neste campo não é só uma opção, mas uma necessidade que o Evangelho nos impõe como condição de fidelidade ao Projeto do Reino. Some conosco, abrace você também esta causa, some conosco, faça parte Rede um Grito pela Vida

    O dia 23 de setembro é o dia Internacional Contra a Exploração Sexual e o Tráfico de Mulheres e Crianças. Esta data foi escolhida na Conferência Mundial de Coligação contra o Tráfico de Mulheres em 1999 em Dhaka, Bangladesh, e lembra a promulgação da primeira lei que permitiu punir os casos de prostituição e corrupção de menores de idade.

    Em diversas localidades estão sendo realizadas atividades de sensibilização mobilização em torno desta data colocando em pauta esta causa, sobretudo em vista da elaboração do II plano nacional de enfrentamento ao tráfico de pessoas que está em andamento no Ministério da Justiça e da CPI contra o tráfico de Pessoas em curso no Senado.  Informe-se, participe! Realize no seu espaço ações que marquem este dia de luta. Gestos simples desencadeiam ações de libertação: Colocar a questão em pauta em todos os espaços possíveis: igrejas, escolas, hospitais, inserções, obras e projetos sociais, em vista da formação da consciência e ações de intervenção na realidade. Articular forças – atuar em redes e parcerias com a sociedade civil e o poder público. Somar na luta por políticas públicas para a juventude e mulheres. Rezar e aprofundar esta realidade, à luz da Palavra de Deus.

 

Oração Pelas Vítimas do Tráfico Humano

Ó Deus Trindade, fonte de vida, nossas palavras mal podem expressar os sentimentos que temos frente a realidade do Tráfico de Seres Humanos. Quando ouvimos falar de tantos homens e mulheres traficados/as para fins de exploração sexual, retirada de órgãos e Trabalho Escravo, pessoas traficadas para lugares desconhecidos, explortadas devido a ganância humana e o lucro.

Nos indignamos diante de tanta violação dos direitos, gritamos contra a degradantes prática do trafico e rezemos para que seja erradicado.

Fortalece as pessoas  que fora vítimas, para lançar para longe os exploradores de mãos vazias.

Dá-nos sabedoria  e coragem para sermos  solidários e solidárias, para que juntos e juntas encontremos caminhos para liberdade que é um direito de todo ser humano



Amém!

Ir. Eurides Alves de Oliveira, ICM
Rede Um grito pela Vida


blogbeatificacao@gmail.com