Mais de três milhões de jovens se
reúnem na praia de Copacabana para participar da Vigília de Oração com o
Papa Francisco. A informação foi divulgada pela prefeitura do Rio de
Janeiro durante o percurso do Pontífice de papamóvel. Essa é a primeira
vez que a praia recebe um público tão grande. O recorde anterior era de
2,3 milhões.
A Vigília é o penúltimo Ato Central da Jornada Mundial da Juventude (JMJ
Rio2013). Ela é considerada o ápice da programação oficial. Os jovens,
juntos ao Pontífice, se reúnem em uma noite de adoração. A programação é
acompanhada Ao Vivo em dioceses do mundo inteiro por outros jovens que
unem-se espiritualmente nessa mesma oração.

Tradicionalmente, os jovens permanecem a noite no local da Vigília e na
manhã de domingo participam da Missa de Envio com o Santo Padre. Nessa
celebração, o Papa anuncia o local da próxima JMJ.
Apesar da estrutura improvisada, devido a mudança de local do Campus
Fidei, muitos peregrinos foram para a praia preparados para permanecer a
noite inteira no local. A programação deste sábado, 27, termina às 23h.
Mas algumas igrejas da região farão vigília de adoração para os fiéis
que desejarem permanecerem a noite em oração.
Leia a íntegra do discurso do Papa ao abrir a vigília em Copacabana:
“Queridos jovens,
Acabamos recordar a história de São Francisco de Assis. Diante do
Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: ‘Francisco, vai e
repara a minha casa’. E o jovem Francisco responde, com prontidão e
generosidade, a esta chamada do Senhor: ‘Repara a minha casa. Mas qual
casa?’ Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para
reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para
a vida da Igreja; tratava-se de colocar-se ao serviço da Igreja,
amando-a e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a Face
de Cristo.
Também hoje o Senhor continua precisando de vocês, jovens, para a sua
Igreja. Queridos jovens, o senhor precisa de vocês. Também hoje ele
chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja, para serem
missionários. Queridos jovens, o Senhor hoje nos chama. Não a todos e
sim a cada um de vocês, individualmente. Escutem essa palavra nos seus
corações, que fala a vocês.
Acredito que podemos aprender algo com o que aconteceu nos últimos dias.
Tivemos que cancelar o evento em Guaratiba. Será que o Senhor não quer
nos dizer que o verdadeiro campo da fé, não é um lugar geográfico, mas
sim nós mesmos? Sim. É verdade, cada um de nós e de vocês. Eu e vocês
todos aqui, somos discípulos missionários. O que quer dizer isso? Que
nós somos o campo da fé de Deus.
Partindo do campo da fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a
entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a
primeira, o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como
lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.
Primeiro: o campo como lugar onde se semeia. Todos conhecemos a parábola
de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo. Algumas sementes caem à
beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não
conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto
(cf. Mt 13,1-9). O próprio Jesus explicou o sentido da parábola: a
semente é a Palavra de Deus que é semeada nos nossos corações (cf. Mt
13,18-23). Hoje, de modo especial, Jesus está semeando, tornando-nos o
campo da fé. Deus faz tudo, mas vocês têm que permitir que Ele trabalhe
nesse crescimento. Jesus nos diz que as sementes, que caíram à beira do
caminho, em meio às pedras e em meio aos espinhos não deram fruto. Qual
terreno somos ou queremos ser? Escutamos o Senhor, mas na vida não muda
nada, pois nos deixamos tumultuar por tantos apelos superficiais? E eu
lhes pergunt: ‘sou um jovem atordoado ou um jovem com pedras no terreno?
Terei eu o costume de jogar dos dois lados, ficar de bem com Deus e com
o Diabo? Receber as sementes de Deus e manter os espinhos? Acolher
Jesus com entusiasmo, mas ser inconstantes e diante das dificuldades não
ter a coragem de ir contra a corrente; ou somos como o terreno com os
espinhos?
Mas, hoje, tenho a certeza que a semente está caindo numa terra boa,
ouvimos esses testemunhos. A pessoa diz que não é terra boa: ‘sou cheio
de espinhos, Santo Padre’. Mas mantenham sempre um pedacinho de terra
boa. Eu sei que vocês querem ser terra boa. O cristão quer ser isso, um
cristão de verdade, não cristãos de fachada, mas sim autênticos. Sei que
querem ser cristãos autênticos. Tenho a certeza que vocês não querem
viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e as
conveniências do momento.
Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que deem
pleno sentido para a vida. É assim ou estou errado? Se é assim, façamos o
seguinte. Todos em silêncio, olhando para dentro e cada um fale com
Jesus que quer receber a semente. Olhe: ‘Jesus, tenho pedras, tenho
espinhos, mas tenho esse canto de boa terra’. Semeie. E em silêncio,
permitem que Jesus plantem sua semente em boa terra. Cada um sabe o nome
da semente que foi plantada agora. E Deus vai cuidar dela.
Segundo: o campo como lugar de treinamento. Jesus nos pede que o sigamos
por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que ‘joguemos no seu
time’. Acho que a maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil,
como em outros países, o futebol é uma paixão nacional. Sim ou não? Pois
bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time?
Deve treinar, e muito! Também é assim na nossa vida de discípulos do
Senhor. São Paulo nos diz: ‘Todo atleta se privam de tudo. Eles assim
procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos
uma coroa incorruptível!’ (1Co 9, 25). Jesus nos oferece algo muito
superior que a Copa do Mundo! Algo maior que a Copa do Mundo!
Oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda e feliz e nos oferece
também um futuro com Ele que não terá fim: a vida eterna. É o que Jesus
oferece. Mas ele nos cobra um ingresso. Jesus pede que treinemos para
estar ‘em forma’, para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida,
dando testemunhos de fé. Como? Através do diálogo com Ele: a oração, que
é diálogo diário com Deus que sempre nos escuta.

Agora vou perguntar. ‘Eu rezo? Eu falo com Jesus ou tenho medo do
silêncio?’ Deixe que o Espírito Santo fale aos seus corações. Pergunte a
Jesus: ‘O que quer que eu faça? O que quer da minha vida?’ Isso é
treinar. Conversem com Jesus. E se cometerem um erro, um deslize, não
temam. ‘Jesus, olha o que eu fiz, o que faço agora?’ Mas sempre fale com
Jesus, nos bons e maus momentos, não tema. Assim vai se treinando o
diáologo com Jesus. E também através dos sacramentos; através do amor
fraterno, do saber escutar, do compreender, do perdoar, do acolher, do
ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém.
Esses são os treinamentos: a oração, os sacramentos e o serviço ao
próximo. Vamos repetir: oração, sacramentos e ajuda aos demais.
Terceiro: o campo como canteiro de obras. Como vemos aqui, como tudo
isso foi construído. Os jovens caminharam e construíram juntos. Quando o
nosso coração é uma terra boa que acolhe a Palavra de Deus, quando se
‘sua a camisa’ procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo
maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de
irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja, mais ainda,
tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história. Fizeram
assim como São Francisco: construir e reparar a Igreja.
Querem construir a Igreja? Estão animados? E amanhã vão se esquecer que
disseram ‘sim’? Todos somos parte da Igreja. Nos transformamos em
construtores da Igreja e protagonistas da História. Sejam protagonistas,
não fiquem na fila da História. Joguem sempre na linha de frente, no
ataque! São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício
espiritual (cf. 1Pe 2,5). E, olhando para este palco, vemos que ele tem a
forma de uma igreja, construída com pedras, com tijolos. Na Igreja de
Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua
Igreja; cada um de nós somos uma pedrinha da construção. Se faltar essa
pedrinha, quando chover, vai alagar tudo. E devemos construir uma
grande Igreja. Não construir uma capelinha, onde cabe somente um
grupinho de pessoas. Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão
grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos!
Ele diz a mim, a você, a cada um: ‘Ide e fazei discípulos entre todas as
nações’! Nesta noite, respondamos-lhe: Sim, também eu quero ser uma
pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus!
Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Repitam isso. Agora é
com vocês. ‘Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo’. Quero que
pensem nisso. No coração jovem de vocês, existe o desejo de construir
um mundo melhor. Acompanhei atentamente as notícias a respeito de muitos
jovens que, em tantas partes do mundo, saíram pelas ruas para expressar
o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas ruas
querem ser protagonistas da mudança. Não deixam que outros sejam
protagonistas, sejam vocês. Vocês têm o futuro nas mãos. Por vocês, é
que o futuro chegará. Peço que vocês também sejam protagonistas,
superando a apatia e oferecendo uma resposta cristã às questões
políticas que se colocam em diversas questões do mundo. Envolvam-se num
mundo melhor. Não sejam covardes, metam-se, saiam para a vida. Jesus não
ficou preso dentro de um casulo. Saiam às ruas como fez Jesus.
Mas, fica a pergunta: por onde começar? A quem vamos pedir que se comece
isso ou aquilo? Quando perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que
devia mudar na Igreja, por onde começaríamos a mudar, e ela respondeu:
você e eu! Ela tinha muita garra e sabia por onde começar. Repito as
palavras de Madre Teresa: começamos por mim e por você. Faça essa mesma
pergunta: se tenho que começar por mim mesmo, por onde devo começar?
Abra seus corações para que Jesus lhes fale.
Queridos amigos, não se esqueçam: vocês são o campo da fé! Vocês são os
atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e
de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela nos ajuda a
seguir Jesus, nos dá o exemplo com o seu ‘sim’ a Deus: ‘Eis aqui a
serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra’ (Lc1,38). Também
nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua
palavra.
Assim seja!”
Papa Francisco
JMJ e Jovens Conectados